Saúde do homem

Check-up masculino depois dos 40: o que pedir e com que frequência

Por Dr. João Carvalhal, urologista e andrologista · 01/09/2026 · 8 min de leitura

Depois dos 40, um check-up masculino básico inclui medida de pressão, glicemia, perfil de colesterol, função renal, hemograma, exame de urina e avaliação de peso e circunferência abdominal. Testosterona entra quando há sintomas. PSA e toque retal entram conforme a idade e o histórico familiar, em uma decisão conversada com o médico, e não automaticamente. Com resultados normais, a maioria desses exames é repetida a cada um ou dois anos.

Mas o check-up não é só uma lista de exames. É o momento de olhar para sinais que o homem costuma deixar passar, e o mais importante deles é a ereção. Uma dificuldade nova de ereção, nessa faixa etária, é com frequência o primeiro aviso de um problema nas artérias, anos antes de um infarto. Abaixo, o que pedir, o que observar e com que frequência voltar.

Estetoscópio e exames sobre a mesa do consultório
Estetoscópio e exames sobre a mesa do consultório

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Por que os 40 são um marco

Não porque algo aconteça de repente. É porque, a partir dessa década, as condições que se desenvolvem em silêncio por anos começam a ter consequência: pressão alta, resistência à insulina, colesterol acumulado nas artérias, queda gradual de testosterona, crescimento da próstata. Nenhuma delas dói no começo.

Há também um fator de comportamento. Homens vão menos ao médico do que mulheres em todas as faixas etárias e costumam procurar ajuda quando o sintoma já está instalado. O check-up é a forma de inverter isso: encontrar antes de sentir.

Os exames básicos

Com raras exceções, todo homem a partir dos 40 se beneficia destes:

  • Pressão arterial. Medida em consultório, e idealmente também em casa, em dias diferentes.
  • Glicemia de jejum e hemoglobina glicada. A glicada mostra a média dos últimos três meses e pega o pré-diabetes cedo.
  • Perfil lipídico. Colesterol total, LDL, HDL e triglicerídeos.
  • Função renal. Creatinina e, se indicado, a taxa de filtração estimada.
  • Hemograma. Anemia, alterações de plaquetas e de células brancas.
  • Exame de urina. Sangue, proteína ou sinais de infecção que não dão sintoma.
  • Peso, altura e circunferência abdominal. A medida da cintura, acima de 94 cm em homens, já indica risco cardiovascular aumentado, mesmo com peso aparentemente normal.

Dependendo do histórico, o médico pode acrescentar função hepática, vitamina D, TSH e outros. Mais exames não significam melhor check-up. O que importa é pedir o que muda a conduta.

PSA e toque retal: conforme indicação, não por rotina

O PSA é um exame de sangue que ajuda a rastrear o câncer de próstata. O toque retal complementa, porque avalia a consistência e o formato da glândula. Os dois têm limitações: o PSA sobe por vários motivos além do câncer, e o rastreamento em massa pode levar a biópsias e tratamentos desnecessários.

Por isso a recomendação atual das sociedades de urologia é de decisão compartilhada. Em linhas gerais:

  • A partir dos 50 anos para homens sem fator de risco.
  • A partir dos 45 anos para homens negros ou com pai ou irmão que tiveram câncer de próstata.
  • Em alguns protocolos, a partir dos 40 quando há histórico familiar forte, com mais de um parente afetado ou diagnóstico precoce.

Na prática, a partir dos 45 a conversa sobre PSA deve acontecer, e a decisão de fazer ou não é tomada junto com o médico. O toque retal, quando indicado, leva segundos. O artigo sobre a primeira consulta com o urologista explica como ele é feito.

Testosterona: quando dosar

A testosterona cai de forma lenta a partir dos 30 a 40 anos, em torno de 1% ao ano. Isso é fisiológico. O que não é fisiológico é um nível baixo acompanhado de sintomas: queda de libido, ereção mais fraca, cansaço fora do normal, perda de massa muscular, aumento de gordura abdominal, desânimo, sono ruim.

A dosagem, portanto, é indicada quando há sintoma, e não como exame de rotina para todo homem de 40. Quando é feita:

  • A coleta deve ser pela manhã, entre 7h e 10h, quando o hormônio está no pico.
  • Um resultado baixo precisa ser confirmado com uma segunda dosagem, em outro dia.
  • Outros exames acompanham: LH, prolactina, hemograma, PSA, para entender a causa e avaliar a segurança de um eventual tratamento.

Testosterona baixa confirmada com sintomas tem tratamento, e ele é conduzido por médico, com acompanhamento. Os sintomas que justificam investigar estão detalhados em sintomas de testosterona baixa no homem, e a abordagem de tratamento, na página de reposição hormonal masculina.

Cada caso é um caso. Na consulta, o Dr. João avalia a sua situação e indica o caminho certo para você.

Ereção como sinal cardiovascular

Este é o ponto do check-up que mais homens ignoram, e o que mais pode mudar o desfecho. As artérias do pênis têm de 1 a 2 milímetros de diâmetro. As artérias do coração têm de 3 a 4. Quando placas de gordura começam a se formar, as artérias mais finas são as primeiras a ter o fluxo comprometido. O resultado é uma ereção que demora mais, fica menos rígida ou não se mantém.

Estudos de acompanhamento mostram que a disfunção erétil de origem vascular pode preceder um evento cardíaco em dois a cinco anos. Ou seja, o homem de 45 anos que percebe a ereção piorando e não fala com ninguém está desperdiçando o aviso mais precoce que o corpo dá.

Por isso, no check-up, a pergunta “como está a ereção?” tem o mesmo peso de “como está a pressão?”. Quando há queixa, a investigação inclui os exames de risco cardiovascular e, em alguns casos, o Doppler peniano, que mede diretamente o fluxo de sangue no pênis. A página de disfunção erétil explica como essa avaliação é feita e quais são os caminhos de tratamento.

Sinais que não devem ser ignorados

Entre um check-up e outro, alguns sintomas justificam consulta imediata, sem esperar a data marcada:

  • Sangue na urina ou no sêmen, mesmo uma vez, mesmo sem dor.
  • Jato urinário fraco, esforço para urinar, levantar duas ou mais vezes por noite.
  • Nódulo ou aumento de um testículo, com ou sem dor.
  • Ereção que piorou nos últimos meses, sobretudo se a ereção matinal sumiu.
  • Dor no peito ao esforço, falta de ar, cansaço desproporcional.
  • Perda de peso sem explicação.
  • Ronco alto com pausas na respiração, relatado pela parceira. Apneia do sono está ligada a pressão alta, testosterona baixa e disfunção erétil.
  • Desânimo persistente, irritabilidade, perda de interesse. Depressão em homens é subdiagnosticada e frequentemente aparece como sintoma físico.

Com que frequência

Uma regra prática, ajustada pelo médico ao seu caso:

  • Consulta de check-up: anual. Mesmo que nem todos os exames sejam repetidos, a conversa anual permite revisar sintomas, pressão e hábitos.
  • Exames de sangue básicos: a cada 1 a 2 anos se os anteriores estavam normais. Anualmente se há alteração, sobrepeso, histórico familiar ou tratamento em curso.
  • PSA: conforme o protocolo combinado, em geral a cada 1 a 2 anos a partir da idade de início definida com o médico.
  • Testosterona: apenas quando há sintoma, ou para acompanhamento de quem já trata.
  • Pressão: a cada consulta e em casa se houver alteração.

Quem tem diabetes, hipertensão, obesidade ou já teve um evento cardiovascular segue um calendário próprio, mais frequente.

Como montar seu check-up em Macaé

O check-up masculino pode ser conduzido pelo clínico geral, pelo cardiologista ou pelo urologista, e o ideal é que esses profissionais conversem entre si. No consultório do Dr. João Carvalhal, em Macaé, a consulta masculina parte da conversa sobre ereção, libido, urina e hormônios, e a partir dela os exames são organizados de forma a não pedir mais do que o necessário nem menos do que o suficiente. Quando aparece um sinal cardiovascular, o encaminhamento ao cardiologista faz parte do plano.

Se você está nos 40 e nunca fez um check-up, ou faz o mesmo há anos sem olhar para a ereção e para os hormônios, esse é um bom motivo para marcar.

Em resumo

Perguntas frequentes

Pressão arterial, glicemia e hemoglobina glicada, perfil lipídico, creatinina, hemograma, exame de urina e medida de peso e cintura. Testosterona quando há sintomas e PSA conforme idade e histórico familiar, em decisão conversada com o médico.

Em geral, a conversa sobre PSA e toque começa aos 50 anos, ou aos 45 para homens negros ou com pai ou irmão que tiveram câncer de próstata. A decisão é compartilhada entre paciente e médico.

Não. A dosagem é indicada quando há sintomas como queda de libido, ereção fraca, cansaço e perda de massa muscular. Sem sintomas, não faz parte do check-up de rotina.

Sim. Como as artérias do pênis são mais finas, a disfunção erétil de causa vascular pode aparecer anos antes de um evento cardíaco. Uma piora da ereção depois dos 40 merece investigação cardiovascular.

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Dr. João Guilherme Carvalhal, urologista e andrologista em Macaé
Dr. João Guilherme Carvalhal

Urologista e andrologista em Macaé, RJ. Medicina pela UFRJ, residência em Cirurgia Geral (UNIRIO) e em Urologia (UERJ). CRM-RJ 1043943 · RQE 39823. Conteúdo informativo, que não substitui a consulta.

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