Ereção e hormônios

Tadalafila, sildenafila e outras: diferenças, efeitos e por que precisam de prescrição

Por Dr. João Carvalhal, urologista e andrologista · 20/07/2026 · 7 min de leitura

Resposta curta: tadalafila, sildenafila, vardenafila e outras substâncias da mesma família agem do mesmo jeito. Elas bloqueiam uma enzima do pênis chamada fosfodiesterase tipo 5 (PDE5), o que mantém os vasos abertos por mais tempo e facilita a ereção quando há estímulo sexual. A diferença principal está no tempo: a sildenafila começa a agir em cerca de 30 a 60 minutos e dura de 4 a 6 horas; a tadalafila demora um pouco mais para agir, mas dura até 36 horas e tem uma versão de uso diário em dose baixa.

Nenhuma delas cria desejo, nenhuma funciona sem estímulo e todas têm interações que podem ser graves, sobretudo com nitratos usados no coração. Por isso são medicamentos de prescrição: o médico precisa saber o que você toma, como está o seu coração e qual é a causa da sua dificuldade antes de escolher a substância, a dose e a forma de uso. Abaixo, as diferenças em detalhe.

Cartelas de comprimidos sobre a mesa
Cartelas de comprimidos sobre a mesa

Quer saber como isso se aplica ao seu caso? Agende uma consulta com o Dr. João Carvalhal. Atendimento sigiloso, em Macaé.

Como esses remédios funcionam

Durante o estímulo sexual, os nervos do pênis liberam óxido nítrico, que ativa uma cadeia de reações e produz uma molécula chamada GMP cíclico. É ela que relaxa a musculatura dos corpos cavernosos e deixa o sangue entrar. A enzima PDE5 é a responsável por destruir o GMP cíclico e encerrar a ereção.

Os inibidores da PDE5 bloqueiam essa enzima. O GMP cíclico dura mais, os vasos ficam abertos por mais tempo e a ereção fica mais fácil de conseguir e de manter. Dois pontos práticos vêm daí:

  • Precisam de estímulo. Sem óxido nítrico, não há GMP cíclico para preservar. O remédio não provoca ereção sozinho, só amplifica o que o corpo já tenta fazer.
  • Não tratam a causa. Se a dificuldade vem de diabetes, pressão, testosterona baixa ou ansiedade, o comprimido melhora a noite, mas a causa continua lá. O tratamento da disfunção erétil começa por identificar o que está por trás.

Sildenafila, tadalafila, vardenafila: o que muda

As diferenças entre as substâncias estão no tempo de início, na duração, na interação com alimentos e no perfil de efeitos colaterais. Em linhas gerais:

SubstânciaInício do efeitoDuração aproximadaObservações
Sildenafila30 a 60 minutos4 a 6 horasEfeito reduzido se tomada com refeição gordurosa. Mais associada a rubor facial e alteração visual passageira.
Tadalafila30 minutos a 2 horasAté 36 horasMenos afetada por alimentos. Existe a opção de dose baixa diária. Mais associada a dor lombar e muscular.
Vardenafila30 a 60 minutos4 a 6 horasPerfil parecido com a sildenafila. Existe versão que dissolve na boca.
Lodenafila30 a 60 minutos4 a 6 horasDesenvolvida no Brasil, com perfil semelhante ao da sildenafila.

A escolha depende do padrão de vida sexual. Quem tem relações programadas e prefere efeito curto costuma se adaptar bem à sildenafila. Quem quer espontaneidade ao longo do fim de semana, ou tem relações frequentes, pode se beneficiar da tadalafila, inclusive na dose diária baixa, que mantém o efeito contínuo e costuma ter menos oscilação de efeitos colaterais. Não existe substância melhor em geral, existe a mais adequada para cada homem.

Efeitos colaterais mais comuns

Como os inibidores da PDE5 dilatam vasos em outras partes do corpo, os efeitos colaterais vêm daí. Os mais frequentes são dor de cabeça, rubor no rosto, congestão nasal, azia e tontura leve. Com a sildenafila, alguns homens relatam visão com tom azulado ou sensibilidade à luz por algumas horas. Com a tadalafila, dor nas costas e nas pernas é mais comum.

Na maioria das vezes esses efeitos são leves, passam sozinhos e diminuem com ajuste de dose. Efeitos raros e graves, que exigem atendimento imediato, são perda súbita de visão ou audição e a ereção que não cede em 4 horas (priapismo). Não é frequente, mas é preciso saber.

Cada caso é um caso. Na consulta, o Dr. João avalia a sua situação e indica o caminho certo para você.

Quem não pode usar: nitratos e outras contraindicações

A contraindicação mais importante é o uso de nitratos, medicamentos para angina e outras doenças do coração. Nitratos também aumentam o óxido nítrico. Combinados com o inibidor da PDE5, a pressão arterial pode cair de forma abrupta e perigosa. Isso inclui nitratos de uso contínuo, os de emergência colocados embaixo da língua e as drogas recreativas conhecidas como “poppers”.

Outras situações que exigem cautela ou impedem o uso:

  • Infarto, AVC ou arritmia grave nos últimos meses.
  • Pressão muito baixa ou hipertensão descontrolada.
  • Doença grave do fígado ou dos rins, que altera a eliminação do remédio.
  • Uso de certos remédios para próstata (alfabloqueadores), que também baixam a pressão e pedem ajuste de dose e de horário.
  • Uso de alguns antifúngicos, antibióticos e antirretrovirais, que aumentam o nível do remédio no sangue.
  • Doenças da retina de origem hereditária.

Existe ainda a pergunta de fundo: o coração aguenta a atividade sexual? Um homem com angina não controlada que consegue ereção com o remédio e faz um esforço que o coração não suporta corre risco real. Por isso a consulta avalia o risco cardiovascular antes de prescrever.

Por que a automedicação é perigosa

O acesso fácil, pela internet ou por indicação de amigo, cria a impressão de que esses remédios são inofensivos. Os problemas mais comuns que o urologista vê em Macaé e na região:

  1. Dose errada. Começar pela dose máxima aumenta os efeitos colaterais e, quando falha, gera a falsa conclusão de que “remédio não funciona em mim”.
  2. Interação não percebida. O homem não sabe que o remédio do coração é um nitrato, ou não lembra de mencionar o alfabloqueador da próstata.
  3. Uso sem diagnóstico. A dificuldade pode ser sinal de diabetes, doença cardiovascular ou testosterona baixa. O comprimido esconde o sintoma e adia a investigação. A relação entre ereção e coração é explicada no artigo sobre causas de disfunção erétil em cada idade.
  4. Dependência psicológica. Sem orientação, alguns homens jovens com ansiedade de desempenho passam a acreditar que não conseguem sem o remédio, quando o problema nunca foi físico.

E há os produtos sem registro: manipulados de origem duvidosa, “naturais” vendidos como estimulantes, balas e géis comprados fora de farmácia. Análises de agências reguladoras encontram com frequência inibidores da PDE5 escondidos nesses produtos, em doses desconhecidas, às vezes acima da máxima permitida. O homem acha que está tomando algo natural e está tomando um medicamento potente sem saber a dose. É a pior combinação possível para quem usa nitrato sem lembrar.

A regra é simples: inibidor da PDE5 só com receita, só de farmácia, só depois de uma consulta em que o médico conhece o seu histórico. O Dr. João Carvalhal costuma revisar toda a lista de medicamentos antes de prescrever e ajusta a substância e a dose ao longo do acompanhamento.

Em resumo

Perguntas frequentes

Nenhuma é melhor em geral. A sildenafila tem efeito mais curto, adequado para relações programadas. A tadalafila dura mais e permite espontaneidade. A escolha depende do seu padrão de vida sexual, das outras medicações e da resposta individual.

Existe uma dose baixa de tadalafila indicada para uso diário, sob prescrição. Ela mantém o efeito contínuo e costuma ter efeitos colaterais mais estáveis. Só deve ser usada com avaliação médica.

Em homens sem contraindicação, os inibidores da PDE5 são considerados seguros. O risco existe quando combinados com nitratos ou usados por quem tem doença cardíaca não controlada. Por isso a avaliação antes da prescrição é obrigatória.

Não. O remédio amplifica a resposta natural do corpo ao estímulo, mas não provoca ereção nem desejo por conta própria.

Converse com o Dr. João

Antes de tomar qualquer remédio para ereção, entenda a causa. Agende uma consulta com o Dr. João Carvalhal em Macaé.

Dr. João Guilherme Carvalhal, urologista e andrologista em Macaé
Dr. João Guilherme Carvalhal

Urologista e andrologista em Macaé, RJ. Medicina pela UFRJ, residência em Cirurgia Geral (UNIRIO) e em Urologia (UERJ). CRM-RJ 1043943 · RQE 39823. Conteúdo informativo, que não substitui a consulta.

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