Ereção e hormônios

Prótese peniana: como funciona, tipos e quando é indicada

Por Dr. João Carvalhal, urologista e andrologista · 22/06/2026 · 7 min de leitura

Resposta curta: a prótese peniana é um implante colocado dentro dos corpos cavernosos, as duas estruturas que enchem de sangue e endurecem o pênis. Ela substitui a função desse tecido quando ele já não responde a medicamentos ou injeções. Existem dois tipos: a maleável, que é um par de hastes semirrígidas que você posiciona com a mão, e a inflável, que enche e esvazia por uma bomba escondida no escroto.

A prótese não altera sensibilidade, orgasmo, ejaculação nem a capacidade de urinar. O que ela faz é garantir rigidez suficiente para a penetração, sempre que o homem quiser, sem depender de remédio. É um tratamento definitivo, indicado quando as outras opções falharam ou não podem ser usadas. Abaixo, como funciona cada tipo, como é a cirurgia e para quem ela faz sentido.

Equipe cirúrgica em centro cirúrgico
Equipe cirúrgica em centro cirúrgico

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O que a prótese substitui dentro do pênis

A ereção natural acontece quando o sangue enche os corpos cavernosos e fica preso ali, como uma esponja que incha e endurece. Na disfunção erétil grave, esse tecido perde a capacidade de encher (por falta de fluxo arterial) ou de segurar o sangue (a chamada fuga venosa), ou as duas coisas. Também pode ficar fibrosado depois de cirurgias, doença de Peyronie avançada ou priapismo.

A prótese ocupa o espaço interno desses dois cilindros. O tecido erétil original é dilatado para receber os implantes, e a partir daí a rigidez passa a vir da prótese, não do sangue. Por isso ela costuma ser a última etapa do tratamento da disfunção erétil: depois de colocada, o tecido cavernoso não volta a funcionar como antes. A decisão precisa ser bem informada.

Prótese maleável: simples e sem mecanismo

A prótese maleável é formada por duas hastes de silicone com um núcleo flexível, uma em cada corpo cavernoso. O pênis fica sempre com certa firmeza, e o homem dobra para baixo para ficar discreto na roupa e levanta para a relação. Não há bomba, válvula nem reservatório.

Vantagens: cirurgia mais curta, manuseio muito simples, menos peças que possam falhar, custo menor. É uma boa opção para quem tem dificuldade de coordenação manual, quem prefere não lidar com mecanismo ou quando o orçamento é um limitador.

Limitações: o pênis nunca fica totalmente flácido nem ganha volume na ereção. Alguns homens se adaptam bem a isso, outros sentem falta da naturalidade. Vale uma conversa franca sobre expectativa antes de escolher.

Prótese inflável: de 2 e de 3 volumes

A prótese inflável funciona com líquido. Dois cilindros ficam dentro dos corpos cavernosos, vazios em repouso, e enchem quando o homem aperta uma pequena bomba colocada dentro do escroto, ao lado dos testículos. Para desfazer a ereção, ele aciona uma válvula na mesma bomba e o líquido volta.

  • Inflável de 3 volumes (3 peças): cilindros, bomba e um reservatório de líquido implantado atrás do púbis, dentro do abdome. É o modelo que mais se aproxima da ereção natural: flacidez completa em repouso, rigidez e algum ganho de circunferência quando inflada.
  • Inflável de 2 volumes (2 peças): cilindros e bomba, com o reservatório embutido na própria bomba. Não precisa entrar no abdome, o que simplifica a cirurgia em alguns casos. A flacidez em repouso é um pouco menor do que na de 3 volumes.

Vantagens: aparência e sensação mais naturais, discrição total com a roupa, maior satisfação relatada nos estudos. Limitações: custo maior, cirurgia um pouco mais longa, exige coordenação manual para operar a bomba e existe, ao longo dos anos, a possibilidade de falha mecânica que exija revisão. A escolha entre os dois modelos tem um artigo próprio com uma comparação lado a lado.

Cada caso é um caso. Na consulta, o Dr. João avalia a sua situação e indica o caminho certo para você.

Como é a cirurgia de implante

O implante é feito em ambiente hospitalar, com anestesia regional (raquianestesia) ou geral, definida junto com o anestesista. A incisão costuma ser pequena, na base do pênis ou na transição entre pênis e escroto, e por ela o cirurgião acessa os dois corpos cavernosos, dilata o tecido e posiciona os cilindros. Nos modelos infláveis, a bomba é acomodada no escroto e, no de 3 volumes, o reservatório é colocado no abdome pela mesma incisão.

A cirurgia dura em torno de uma a duas horas. A alta costuma acontecer no mesmo dia ou no dia seguinte. Antibiótico, preparo da pele e técnica cuidadosa são fundamentais, porque infecção é a complicação mais temida em qualquer implante e, quando ocorre, geralmente exige a retirada da prótese.

Recuperação e primeira relação

Nos primeiros dias há dor e inchaço, controlados com analgésicos. A maioria dos homens retorna a atividades leves em uma a duas semanas. O que se espera nas primeiras semanas:

  1. Semana 1 e 2: repouso relativo, higiene da incisão, sem esforço físico. No modelo inflável, a bomba ainda não é acionada.
  2. Semana 3 a 6: o médico ensina a operar a prótese (inflar e desinflar) e o paciente treina em casa. Nessa fase ainda não há relação sexual.
  3. A partir de 6 semanas, em média: liberação para a atividade sexual, sempre com avaliação do médico.

O que se preserva com a prótese: a sensibilidade da pele e da glande, o orgasmo, a ejaculação (se já existia antes da cirurgia) e a micção. O que muda: a rigidez passa a depender do implante, e a glande pode não endurecer tanto quanto na ereção natural, porque ela não faz parte dos corpos cavernosos. Isso é esperado e costuma ser bem tolerado.

Quando a prótese é indicada

A prótese peniana é considerada quando:

  • Os medicamentos orais (inibidores da PDE5) não funcionam ou não podem ser usados, como em quem toma nitratos.
  • As injeções intracavernosas não funcionam, causam dor ou o homem não quer depender delas.
  • Existe fibrose do tecido erétil, como após priapismo ou em casos avançados de doença de Peyronie.
  • Houve cirurgia de próstata ou de reto com lesão de nervos e sem recuperação da ereção após tratamento clínico.
  • O homem entende as limitações do implante e quer uma solução definitiva, sem depender de remédio.

Antes da indicação, o Dr. João Carvalhal costuma confirmar o grau de comprometimento vascular com o Doppler peniano e revisar se todas as etapas anteriores foram realmente tentadas. Em Macaé, a consulta para prótese peniana inclui essa conversa sobre expectativa, tipo de implante e riscos. É uma decisão compartilhada, sem pressa.

Em resumo

Perguntas frequentes

Não. A prótese fica dentro dos corpos cavernosos e não interfere nos nervos da pele e da glande. Sensibilidade, orgasmo e ejaculação são mantidos.

Com a roupa, não. A inflável fica completamente flácida em repouso. A maleável fica dobrada para baixo e é discreta na maioria das roupas.

As próteses são projetadas para durar muitos anos. Os modelos infláveis podem precisar de revisão ao longo do tempo por desgaste mecânico. O médico explica a durabilidade esperada de cada modelo na consulta.

A prótese pode ser retirada, mas o tecido erétil não recupera a função anterior. Por isso ela é indicada apenas quando as outras opções de tratamento já foram tentadas.

Converse com o Dr. João

Quer saber se a prótese peniana é uma opção para o seu caso? Agende uma consulta com o Dr. João Carvalhal em Macaé.

Dr. João Guilherme Carvalhal, urologista e andrologista em Macaé
Dr. João Guilherme Carvalhal

Urologista e andrologista em Macaé, RJ. Medicina pela UFRJ, residência em Cirurgia Geral (UNIRIO) e em Urologia (UERJ). CRM-RJ 1043943 · RQE 39823. Conteúdo informativo, que não substitui a consulta.

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