Ereção e hormônios

Doppler peniano: para que serve e como é feito o exame

Por Dr. João Carvalhal, urologista e andrologista · 06/07/2026 · 6 min de leitura

Resposta curta: o Doppler peniano serve para descobrir se a disfunção erétil tem causa vascular, ou seja, se o sangue não está entrando no pênis com força suficiente (problema arterial) ou está entrando e escapando rápido demais (fuga venosa). É feito com ultrassom, depois de uma injeção de medicação vasoativa que provoca ereção, e mede a velocidade do fluxo nas artérias do pênis em tempo real.

O exame dura em torno de 30 a 45 minutos, é feito em consultório e não exige jejum nem internação. O incômodo maior é a injeção, que é rápida e feita com agulha fina. Depois dele, o médico sabe se o problema está nos vasos, com que gravidade, e consegue indicar o tratamento com mais precisão. Abaixo, cada etapa.

Tela do aparelho de ultrassom com Doppler
Tela do aparelho de ultrassom com Doppler

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Por que o Doppler é pedido

A ereção depende de duas coisas acontecerem em sequência: as artérias se abrem e enchem os corpos cavernosos de sangue, e as veias se comprimem para segurar esse sangue lá dentro. Se a primeira etapa falha, o pênis não endurece o suficiente. Se a segunda falha, ele endurece e perde a rigidez logo em seguida.

Na consulta, o médico consegue suspeitar de causa vascular pelo histórico: diabetes, pressão alta, cigarro, colesterol, idade, cirurgias na pelve. Mas só o Doppler mostra objetivamente o que acontece dentro do pênis. Ele é pedido principalmente quando:

  • A disfunção erétil não responde bem aos medicamentos orais.
  • Existe suspeita de problema arterial ou de fuga venosa.
  • Há doença de Peyronie e é preciso avaliar a curvatura e o fluxo antes de tratar.
  • Está sendo considerado um tratamento cirúrgico, como a prótese peniana, e é preciso documentar o grau de comprometimento.
  • Houve trauma na região e o médico precisa avaliar lesão vascular.

Como é feito, passo a passo

O Doppler peniano é feito pelo próprio urologista ou por um radiologista com experiência no exame. As etapas, na ordem:

  1. Ultrassom em repouso. Com o pênis flácido, o médico passa o transdutor (o aparelho do ultrassom) com gel e avalia a estrutura dos corpos cavernosos, a presença de placas de fibrose e as artérias sem estímulo.
  2. Injeção vasoativa. Uma dose pequena de um medicamento que dilata os vasos é aplicada na lateral do pênis, dentro do corpo cavernoso, com uma agulha fina. A picada é rápida e o desconforto costuma ser comparável a uma injeção comum. A substância mais usada é a prostaglandina, isolada ou combinada com outros vasodilatadores.
  3. Ereção induzida. Em alguns minutos, o pênis começa a endurecer. O médico pode pedir que você fique sozinho na sala e faça estímulo manual para atingir a resposta máxima. Isso é parte do exame e ninguém na equipe vê nada de estranho nisso.
  4. Medidas seriadas. A cada 5 minutos, por cerca de 20 a 30 minutos, o transdutor é passado de novo para medir a velocidade do sangue nas artérias cavernosas nas duas fases da ereção.

O exame pode ser feito no consultório do Dr. João Carvalhal em Macaé ou em clínica de imagem, dependendo do caso.

O que o exame mede

Dois números resumem o resultado:

  • Velocidade de pico sistólico (PSV). É a velocidade máxima do sangue entrando pelas artérias cavernosas. Valores baixos indicam insuficiência arterial: o sangue chega devagar demais para produzir uma ereção rígida.
  • Velocidade diastólica final (EDV). É a velocidade do sangue no momento de repouso entre um batimento e outro. Quando a ereção está completa, o sangue deveria ficar praticamente parado dentro do pênis. Se a velocidade diastólica continua alta, é sinal de que ele está escapando pelas veias: a fuga venosa.

A partir dessas duas medidas e da resposta clínica (o quanto o pênis endureceu), o médico classifica o resultado em normal, insuficiência arterial, disfunção venoclusiva (fuga venosa) ou padrão misto. Ele também avalia a simetria entre os dois lados e a presença de placas ou calcificações, importantes no diagnóstico da doença de Peyronie.

Esse resultado orienta o tratamento. Um problema arterial leve costuma responder a medicação oral e ao controle das causas de base. Uma fuga venosa importante ou uma insuficiência arterial grave respondem pior aos comprimidos, e o médico pode discutir injeções ou o implante de prótese mais cedo, sem meses de tentativa e erro.

Cada caso é um caso. Na consulta, o Dr. João avalia a sua situação e indica o caminho certo para você.

Preparo, duração e o que sentir

Não há preparo especial. Você pode comer normalmente e tomar suas medicações de rotina, salvo orientação contrária. O médico vai perguntar sobre uso de anticoagulantes, alergias e histórico de priapismo (ereção prolongada), que são informações importantes antes da injeção.

Algumas orientações práticas:

  • Evite usar medicamento para ereção nas 24 horas anteriores, a menos que o médico peça o contrário.
  • Vá com roupa confortável e reserve um período tranquilo na agenda, sem compromisso logo depois.
  • Nervosismo é normal e pode reduzir a resposta à injeção. Isso é considerado na interpretação e, se preciso, uma dose adicional é aplicada.

Durante o exame, o que se sente é a picada inicial, uma sensação de calor ou peso no pênis quando a medicação age e o toque do transdutor. Alguns homens relatam leve ardência no local da injeção por alguns minutos. Não é um exame doloroso na maioria dos relatos.

O que acontece depois do exame

A ereção provocada pela injeção costuma desaparecer sozinha em uma a duas horas. Você é orientado a permanecer na clínica ou em contato com a equipe até que ela comece a ceder. Um pequeno hematoma no local da picada pode aparecer e some em poucos dias.

O ponto de atenção é o priapismo: uma ereção que não cede em 4 horas. É pouco frequente com as doses usadas no exame, mas exige atendimento imediato, porque o sangue parado por muito tempo pode lesar o tecido erétil. Se a ereção persistir e ficar dolorida, o médico aplica uma medicação para revertê-la. Por isso o exame só deve ser feito com equipe preparada para essa situação.

Nos dias seguintes, você pode retomar a rotina normal, incluindo exercícios e relações sexuais. O laudo, com as velocidades medidas e a conclusão, é discutido na consulta de retorno, junto com os demais exames, para fechar o plano de tratamento da disfunção erétil. Entender as causas mais comuns de disfunção erétil em cada idade ajuda a interpretar o resultado no seu contexto.

Em resumo

Perguntas frequentes

O desconforto principal é a injeção na lateral do pênis, com agulha fina, que dura poucos segundos. O restante do exame é a passagem do transdutor com gel. A maioria dos homens descreve como incômodo leve.

Não. O exame não exige jejum nem preparo intestinal. Informe o médico sobre remédios em uso, principalmente anticoagulantes e medicamentos para ereção.

Se a ereção durar mais de 4 horas ou ficar dolorida, é um quadro chamado priapismo e precisa de atendimento imediato. A equipe aplica uma medicação para reverter. É pouco frequente com as doses do exame.

O urologista com treinamento no exame ou um radiologista com experiência em Doppler peniano. O ideal é que quem faz o exame também saiba conduzir uma ereção prolongada, se ela ocorrer.

Converse com o Dr. João

Quer saber se a sua ereção tem causa vascular? Converse com o Dr. João Carvalhal sobre o Doppler peniano em Macaé.

Dr. João Guilherme Carvalhal, urologista e andrologista em Macaé
Dr. João Guilherme Carvalhal

Urologista e andrologista em Macaé, RJ. Medicina pela UFRJ, residência em Cirurgia Geral (UNIRIO) e em Urologia (UERJ). CRM-RJ 1043943 · RQE 39823. Conteúdo informativo, que não substitui a consulta.

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