Vasectomia e reversão

Vasectomia: idade mínima, lei e o que mudou em 2022

Por Dr. João Carvalhal, urologista e andrologista · 08/07/2026 · 6 min de leitura

Hoje, a vasectomia pode ser feita por qualquer homem com pelo menos 21 anos, ou com menos de 21 se tiver ao menos dois filhos vivos. Não é preciso autorização da esposa ou companheira. É preciso assinar um termo de consentimento por escrito e esperar um prazo mínimo de 60 dias entre essa assinatura e o procedimento.

Essas regras vêm da Lei 14.443, de 2022, que alterou a Lei do Planejamento Familiar, de 1996. Antes, a idade mínima era 25 anos e o cônjuge precisava consentir. Abaixo, o que dizia a lei antiga, o que mudou, como o prazo de 60 dias funciona na prática e o que você assina no termo.

Família em casa: a lei da vasectomia mudou em 2022
Família em casa: a lei da vasectomia mudou em 2022

Quer saber como isso se aplica ao seu caso? Agende uma consulta com o Dr. João Carvalhal. Atendimento sigiloso, em Macaé.

O que dizia a lei antes de 2022

A esterilização voluntária no Brasil é regulada pela Lei 9.263, de 1996, conhecida como Lei do Planejamento Familiar. Na versão original, ela permitia a vasectomia e a laqueadura apenas para pessoas com capacidade civil plena e:

  • Com mais de 25 anos ou com pelo menos dois filhos vivos.
  • Depois de um prazo mínimo de 60 dias entre a manifestação da vontade e a cirurgia, período em que a pessoa deveria receber aconselhamento sobre outros métodos.
  • Com o consentimento expresso de ambos os cônjuges, no caso de pessoas casadas ou em união estável.

Na prática, um homem de 23 anos sem filhos, com certeza de que não queria ter filhos, não podia fazer vasectomia. E um homem casado dependia de a esposa assinar junto. Essa segunda exigência foi a mais criticada por décadas, porque tratava uma decisão sobre o próprio corpo como decisão do casal.

O que mudou com a Lei 14.443/2022

A Lei 14.443 foi sancionada em setembro de 2022 e passou a valer em março de 2023, 180 dias depois. Ela alterou o artigo 10 da lei de 1996 em quatro pontos principais:

  1. Idade mínima de 21 anos, no lugar de 25. A alternativa dos dois filhos vivos, em qualquer idade, foi mantida.
  2. Fim do consentimento do cônjuge. A decisão passa a ser individual. A parceira pode e deve participar da conversa, mas não assina nada e não pode impedir.
  3. Manutenção do prazo de 60 dias entre a manifestação da vontade, por escrito, e o procedimento.
  4. Laqueadura durante o parto passou a ser permitida, desde que respeitado o prazo de 60 dias e as condições médicas. Esse ponto não afeta a vasectomia, mas mudou bastante a realidade das mulheres que querem a laqueadura.

O objetivo da lei foi reconhecer que a decisão de não ter filhos, ou de não ter mais filhos, é do indivíduo adulto. A idade de 21 anos foi o ponto de equilíbrio escolhido pelo Congresso entre autonomia e o risco de arrependimento em decisões muito precoces.

Os 60 dias: por que existem e como contam

O prazo de 60 dias é um período de reflexão. A lei entende que a vasectomia é definitiva na intenção, e quer garantir que a decisão não seja tomada por impulso, logo depois de um susto com gravidez, por exemplo.

Na prática, a contagem funciona assim:

  • Você agenda uma consulta com o urologista. Nela, o médico explica o procedimento, os riscos, a dificuldade da reversão e os outros métodos disponíveis.
  • Se você decide seguir, assina o termo de consentimento. A data dessa assinatura é o início da contagem.
  • O procedimento pode ser marcado a partir do 61º dia.

Esse prazo vale tanto no SUS quanto no atendimento particular. Não existe forma legal de encurtá-lo. O que muitos consultórios fazem, e é o caso do Dr. João Carvalhal, em Macaé, é organizar a agenda para que a consulta inicial e a assinatura aconteçam no mesmo dia, para que o prazo comece a correr imediatamente.

Cada caso é um caso. Na consulta, o Dr. João avalia a sua situação e indica o caminho certo para você.

O termo de consentimento: o que você assina

O termo é um documento escrito e assinado por você, que fica arquivado no prontuário. A lei exige que ele registre que você foi informado sobre:

  • Os riscos da cirurgia, mesmo que pequenos.
  • Os possíveis efeitos colaterais.
  • A dificuldade da reversão. O termo costuma deixar claro que a vasectomia deve ser considerada irreversível, ainda que a reversão exista.
  • As opções de contracepção reversível disponíveis.

Não é uma formalidade só para proteger o médico. É a garantia de que a decisão foi informada. Se alguma parte do termo não estiver clara, pergunte antes de assinar. Um bom consultório prefere responder dez perguntas a ter um paciente que assinou sem entender.

Tenho menos de 21 anos e não tenho filhos: existe exceção?

Fora das duas condições, 21 anos ou dois filhos vivos, a lei prevê a esterilização apenas em situações específicas: quando há risco à vida ou à saúde, atestado por dois médicos, ou por autorização judicial para pessoas absolutamente incapazes. Nenhuma dessas hipóteses se aplica a um homem saudável de 19 ou 20 anos que simplesmente não quer ter filhos.

Nesse caso, a orientação é usar métodos reversíveis e agendar a vasectomia para depois dos 21. Um médico que oferece o procedimento fora das condições legais está descumprindo a lei, e você também. Não vale a pena.

Perguntas que aparecem na consulta

Sou casado. Minha esposa precisa ir na consulta? Não precisa e não assina nada. Mas a maioria dos casais prefere decidir junto, e ela é bem-vinda.

Tenho 21 anos e nenhum filho. Posso fazer? Pela lei, sim. Na consulta, o médico vai conversar com franqueza sobre a definitividade da decisão, mas a escolha é sua.

Tenho 20 anos e dois filhos. Posso? Sim. A condição dos dois filhos vivos vale em qualquer idade, desde que você tenha capacidade civil plena, ou seja, 18 anos ou mais.

O prazo de 60 dias começa na primeira consulta? Começa na data em que você assina o termo de consentimento. Se isso acontece na primeira consulta, sim.

Se você atende aos requisitos e quer entender como o procedimento é feito, a página de vasectomia sem bisturi explica etapa por etapa.

Em resumo

Perguntas frequentes

21 anos, desde março de 2023. Homens com menos de 21 anos podem fazer se tiverem pelo menos dois filhos vivos e capacidade civil plena.

Não. A Lei 14.443/2022 retirou a exigência de consentimento do cônjuge. A decisão é do próprio homem.

A lei exige no mínimo 60 dias entre a assinatura do termo de consentimento e o procedimento. Esse prazo vale para todos, no SUS e no particular.

Sim. O estado civil não interfere. Basta cumprir a idade mínima ou ter dois filhos vivos, assinar o termo e respeitar o prazo de 60 dias.

Converse com o Dr. João

Atende aos requisitos e quer começar a contar o prazo? Agende a consulta com o Dr. João Carvalhal em Macaé.

Dr. João Guilherme Carvalhal, urologista e andrologista em Macaé
Dr. João Guilherme Carvalhal

Urologista e andrologista em Macaé, RJ. Medicina pela UFRJ, residência em Cirurgia Geral (UNIRIO) e em Urologia (UERJ). CRM-RJ 1043943 · RQE 39823. Conteúdo informativo, que não substitui a consulta.

Leia também

Vasectomia e reversão

Vasectomia é reversível? O que a ciência diz sobre a reversão

Dá para reverter, na maioria dos casos. Mas a chance cai com o tempo e reverter não é o mesmo que engravidar. O que pesa na decisão.

Vasectomia e reversão

Vasectomia x laqueadura: comparação honesta para o casal

Os dois métodos funcionam. A diferença está em como são feitos, no que exigem do corpo e na recuperação. Tabela e explicação para decidir juntos.